segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Dia de vacina!!



Hoje, o dia foi cruel! Dia de vacina, muito calor, arrumei as meninas com macacões curtos pela primeira vez, pois são tão pequeninas, que nunca tinha conseguido aproveitar os dias de calor com elas sem que, elas tremessem de frio com uma roupa mais leve, por fim, nos arrumamos e fomos ao posto de sáude. Lá chegando, sentamos na salinha de vacinação, e conversa vai e vem, o auxiliar de enfermagem pediu a carteirinha delas, confirmou comigo se eram prematuras, saiu da sala, voltou com uma colega de trabalho, pegaram cartilhas leram e leram, sairam voltaram com mais um colega de trabalho conversa vai e vem, pronto, decidido!
Como são prematuras tomam mais uma dose da vacina pra hepatite!  A notícia caiu como uma bomba no meu colo, já estava toda nervosa que elas iam ser picadas uma vez, agora seriam duas e meu coração começou a se agitar de modo estranho. Minha mãe foi comigo pra segurá-las, notei que ela também estremeceu com a notícia, afinal ela foi pra segurar as  meninas na hora da vacinha, pois definitivamente não consigo segurá-las nestas horas, fico com dó acabo relaxando a mão e prejudicando as pequenas.
A primeira a tomar a vacina foi a Eduarda, que dó, minha mãe esticou a perninha dela e ela estava que era só sorrisos de reperente, o grito agudo cortou a sala seguido do silêncio de apenas 1 segundo pra se transformar em choro exaltado e contínuo, um choro desesperado, a boquinha dela tremia e as lágrimas caiam, não só as dela como as minhas também, meu coração ficou do tamanho de uma cereja, achei que fosse desmaiar, abracei a Clara que estava no meu colo com força, como se quisesse evitar que o sofrimento da Duda se estendesse até ela, que bobeira a minha foi somente uma vacina, mas ver minha filha chorar daquele jeito representava o fim do mundo, ela mal conseguirá controlar os soluços e as lágrimas quando novamente, o grito aconteceu, o silêncio desta vez foi um pouco mais longo e então veio o choro mais desesperado que o primeiro, mais angustiante, tinha sido dada a segunda vacina, nesta hora confesso que estremeci. De pronto, peguei a Duda nos braços abraçando o mais que pude, sua boquinha tremia, o rosto lavado em lágrimas, a mãozinha me apertava, ela escondia o rosto no meu peito, e eu o meu em seu pescocinho, queria poder tomar toda a dor pra mim.
A  Clara estava no colo da minha mãe, cheia de risinho e então veio a sensação de dejá vu, o choro cortando minha preocupação com a Duda e multiplicando tudo,  agora eu estava em desespero por ela, eu estava estremecida e o coração do tamanho de um amendoim, e mal me recuperava de ver a Duda naquele estado, eu revivia tudo com a Clara sem ao menos tomar fôlego, a Clara teve um choro longo, sabe aquele choro de dor profunda, que você chora até engasgar e soluçar, com ela foi assim, ela mal tinha expressado toda sua dor, quando veio a segunda picadinha no músculo da perninha, e ela desabou novamente o choro sentido magoado, e eu junto achei novamente que fosse desmaiar, minha mãe confortou ela e eu em desespero por não poder abrigá-la no meu colo que estava ocupado!
O pior em ter gêmeos não é o cansaço, não são as despesas, nem o trabalho, minha maior dificuldade é vê-las chorando e não poder socorrer as duas ao mesmo tempo, não poder confortá-las, hoje eu tinha a Duda agarrada em mim chorando e eu abraçada a ela, como se pudesse tirar-lhe a dor com o calor do meu corpo simplesmente, mas em seguida a Clara chorava e eu não tinha espaço físico para abraça-la como fazia com a Duda, eu queria tomar ambas pra mim, abraçá-las igualmente, deixar que as duas se aninhassem no meu peito, mas sabia que não era possível (uma vez que, elas ainda estão como pescocinho mole e preciso dar suporte quando as pego no colo de forma que uso as duas mãos em um único bebê),  e ver a Clara fazer isso em outra pessoa, pois eu não tinha como estar ali com ela, isso me destruiu, eu queria demais poder estar também com ela nos braços, eu me senti tão incapaz, tão insuficiente...
Eu morro de cíumes das meninas, e em momentos como este que, se fosse um único bebê, somente eu bastaria seriam mais fáceis, pois é muito díficil não conseguir em certos momentos ser suficiente as duas, e ter que ver uma delas receber carinho ou atenção de outra pessoa que não seja eu, realmente não consigo dividir minhas filhas com ninguém, é uma ânsia absurda em querê-las sempre felizes e que estejam sempre tão bem somente comigo, talvez por isto eu tenha decidido não trabalhar e estar com elas, porque eu preciso mais delas do que elas de mim, elas são literalmente o ar que respiro!

1 comentários:

Anônimo disse...

Ai que dor, eu não sei a sensação realmente, mais imagino, aquele choro que abala tudo até as nossas estruturas... bjos

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